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3 de junho de 2011

RÚSSIA PROÍBE PRODUTOS DE 89 UNIDADES DE CARNES DO BRASIL

   O governo russo decidiu barrar a compra de produtos de 89 unidades de processamento de carnes do Brasil, medida que surpreendeu representantes do setor no Brasil e agravou a disputa comercial entre os países envolvendo as carnes. A Rússia embargou a compra de carnes de 23 unidades processadoras do Estado de Mato Grosso, 16 delas produtoras de carne bovina; de 27 do Rio Grande do Sul, das quais 10 produzem carne de frango; e de 39 no Paraná, das quais 16 de carne de frango e 11 de carne suína, disse nesta quinta-feira Alexei Alexeyenko, porta-voz do órgão para segurança alimentar, Rosselkhoznadzor, segundo a agência russa Interfax.
   O Ministério da Agricultura brasileiro confirmou o embargo russo e informou que uma equipe técnica está reunida nesta manhã para discutir o assunto. O ministério deve comentar o tema nesta tarde. A notícia do embargo vem pouco mais de 15 dias depois da visita de uma missão brasileira à Rússia, liderada pelo vice-presidente Michel Temer, que visava justamente reverter às restrições às carnes brasileiras e surpreendeu o setor. "Estivemos na Rússia há cerca de 15 dias. Não dava para imaginar esta violência... Em nossa última visita, a reunião foi mais política. Agora, o Ministério da Agricultura tem que voltar para tratar a questão técnica, enviar uma missão técnica para a Rússia e esclarecer a situação", disse Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
Camargo Neto não soube precisar o número de unidades que estavam habilitadas, mas acrescentou que diante da ampliação do embargo aos frigoríficos de carne suína do Brasil, restará apenas uma planta habilitada, que fica em Santa Catarina, para exportar ao mercado russo. Na avaliação do executivo, até 15 de junho, quando entra em vigor o embargo, os embarques devem se acelerar. Camargo Neto ressalva que os embarques neste ano já estavam menores porque eram poucos os frigoríficos habilitados para exportar à Rússia. Ele afirmou que ainda é cedo para falar em redução dos embarques, mas se a missão do Brasil chegar antes desta data e esclarecer a situação, o impacto deverá ser menor. A Rússia foi o principal destino das exportações brasileiras de carne suína em 2010, com 43 por cento, ou cerca de 234 mil toneladas, segundo dados compilados pela Abipecs.

Frangos:
   "A notícia do embargo é muito, muito forte e inusitada. Surpreendeu o setor e deixou o ministro (da Agricultura, Wagner Rossi) abismado", afirmou o presidente da União Brasileira de Avicultura (UBABEF), Francisco Turra. Ele acrescentou que depois da missão brasileira, o aumento da amplitude das restrições russas "é muito estranho e acho até que tem uma conotação política". Segundo o executivo da Ubabef, que conversou com o ministro da Agricultura nesta manhã, Rossi está reunido com a equipe técnica e já contatou a embaixada brasileira no país. "Nossa situação não é tão crítica como no setor de carne suína, mas mesmo assim é muito grave", observou Turra. A Ubabef informou que das 62 plantas industriais de carne de frango habilitadas, 25 foram bloqueadas pelo governo russo.
   Em 2010, a Rússia importou 144 mil toneladas de carne de frango, sendo o 9o principal destino no período, segundo a Ubabef.
Fonte: Reuters Brasil

ENTRE OS BRIC'S, PIB DO BRASIL SÓ SUPERA O DA RÚSSIA

Imagem:Sec Ugt
   Entre os países que compõem os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a alta de 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre deste ano, ante igual trimestre do ano passado, superou apenas o crescimento da Rússia no mesmo período, de 4,1%. Os dados do Brasil foram divulgados na manhã de hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
   No caso dos demais países, o IBGE utilizou informações do Instituto de Estatística do Banco Mundial. De acordo com o IBGE, a China lidera o ranking de crescimento neste grupo de países, com avanço de 9,7% no período. Em seguida aparecem a Índia (7,8%) e a África do Sul (4,8%).
   Em uma listagem contendo 15 países e blocos econômicos, fornecida pelo IBGE, a expansão de 1,3% da economia no primeiro trimestre deste ano, ante o quarto trimestre do ano passado, coloca o País na terceira posição no ranking do PIB, juntamente com o Chile, que também mostrou alta de 1,3% no período. Na listagem de 15 países e regiões, que compara o primeiro trimestre de 2011 e os últimos três meses do ano passado, a primeira posição é da Alemanha, com alta de 1,5% no PIB. Em seguida aparecem Coreia do Sul (1,4%), Brasil e Chile (ambos com 1,3%), França e Bélgica (ambos com 1,0%), Holanda (0,9%), União Europeia e Grécia (0,8%), México e Reino Unido (0,7%), Estados Unidos (0,4%), Espanha (0,3%), Itália (0,1%) e Japão (-0,9%). 
Fonte: O Estado de São Paulo

1 de junho de 2011

BNDES E BB FINANCIARÃO EXPORTAÇÃO DE MÁQUINA PARA AMÉRICA LATINA


   O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil (BB) firmaram hoje contrato para o financiamento de exportação para países da América Latina de máquinas e equipamentos produzidos no Brasil. Segundo nota do BNDES, o acordo estabeleceu uma linha de crédito de US$ 200 milhões para financiar a venda de bens de capital brasileiros para compradores latino-americanos pela modalidade BNDES Exim Automático.
   A linha será oferecida pelo Banco do Brasil nas agências que opera na Argentina, Chile e Paraguai. Na prática, o banco oferecerá financiamento no mercado dos importadores de máquinas brasileiras, aumentando os incentivos à exportação do setor. O exportador será pago no Brasil pelo BNDES, que já financia os exportadores no Brasil por meio das modalidades pré e pós-embarque.
   A nova modalidade foi desenvolvida pela Área de Comércio Exterior do BNDES no ano passado. Segundo o BNDES, a intenção é aumentar a agilidade operacional do financiamento às vendas internacionais do setor. O banco de fomento informou que todas as agências do BB, no Brasil e no exterior, estão habilitadas a atender às empresas interessadas nesta linha de crédito. No primeiro momento, os principais agentes da linha serão as agências do banco brasileiro em Santiago (Chile), Assunção (Paraguai) e em várias cidades argentinas, por meio do Banco Patagônia, comprado pelo BB no ano passado.
   A linha BNDES Exim Automático tem prazos de até cinco anos e deve beneficiar principalmente o setor de máquinas agrícolas, industriais e de veículos comerciais como ônibus e caminhões. O BNDES explicou que o acordo com o BB foi o primeiro dessa modalidade, em que o Banco do Brasil de Nova York figura como tomador dos financiamentos, assumindo o risco da operação. "Os desembolsos dos recursos serão realizados pelo BNDES em reais diretamente aos exportadores no Brasil, que receberão antecipadamente por suas vendas externas, sem correr riscos de natureza comercial e política. Não haverá remessa de recursos do BNDES para o exterior em tais operações", esclareceu o banco.
   A intenção do BNDES é firmar outros acordos similares com bancos internacionais e brasileiros que tenham operação no exterior, principalmente na América Latina e na África, mercados de maior potencial para a indústria brasileira . O banco informou que está em negociação com cerca de 20 bancos, em países como Uruguai, Peru, Panamá, República Dominicana, Argentina, Chile e Paraguai, com potencial de concessão de linhas de crédito no valor total de mais de US$ 600 milhões. 
Fonte: O Estado de São Paulo

BALANÇA COMERCIAL REGISTRA SUPERÁVIT DE US$ 3,529 BILHÕES EM MAIO

   A balança comercial brasileira fechou o mês de maio com um superávit de US$ 3,529 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O saldo é resultado de exportações de US$ 23,211 bilhões (média diária de US$ 1,055 bilhão) menos importações de US$ 19,682 bilhões (média diária de US$ 894,6 milhões) no período.
   Pelo critério da média diária, as exportações em maio cresceram 25,2% ante maio de 2010, quando a média diária exportada foi de US$ 843 milhões. Na comparação com abril deste ano (média diária de US$ 1,061 bilhão), houve queda de 0,6%.
   A média diária das importações registrou um crescimento de 31,8% ante a média de maio de 2010 (US$ 678,8 milhões). Na comparação com abril deste ano, quando a média diária foi de US$ 963,7 milhões, houve uma queda de 7,2%. Na quarta semana de maio (23 a 29), a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 320 milhões, com exportações de US$ 4,783 bilhões menos importações de US$ 4,463 bilhões. Na quinta semana (30 e 31), o saldo da balança também foi positivo em US$ 463 milhões, com exportações de US$ 2,163 bilhões e importações de US$ 1,7 bilhão.
Fonte: Agência Estado

SOB DILMA, BC MUDA E TENTA ESTIMULAR CRESCIMENTO, ALÉM DE VIGIAR A INFLAÇÃO

   Os sinais já vinham do governo Lula. Mas, no governo Dilma Rousseff, a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil se aproxima, ainda que informalmente, do modelo do Federal Reserve (Fed, o BC americano). Nos Estados Unidos, o Fed tem a missão oficial não só de zelar pela estabilidade de preços, mas também de buscar o máximo de empregos, ou seja, inflação baixa e crescimento forte.
   No Brasil, o BC tem oficialmente o mandato de buscar a meta de inflação definida pelo governo. Mas a estratégia mais gradualista adotada neste ano mostra que, na prática, o BC de Dilma opera também de olho no crescimento do País, numa espécie de "duplo mandato". A preocupação do governo em não frear demais o ritmo de crescimento da economia em 2011 está no cerne da decisão do BC em adiar para 2012 a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%, segundo apurou o Estado. Dilma deixou claro, logo no início da sua administração, que estava comprometida com o controle da inflação, mas sem sacrificar o maior crescimento econômico obtido no segundo mandato do governo anterior.
   Apesar de ter autonomia operacional, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e sua equipe estão mais sintonizados com esse objetivo. Aliás, o nome dele foi escolhido exatamente pela avaliação de que Tombini trabalharia nessa direção. Apesar de muitas vezes usar algumas expressões "rabugentas" típicas de banqueiros centrais - como a clássica "um pouco mais de inflação não aumenta o crescimento" -, a prática mostra que o BC acredita que não deve derrubar a atividade econômica para manter a inflação na meta. O próprio relatório trimestral de inflação de março foi explícito ao afirmar que uma convergência em 2011 para o centro da meta de 4,5%, diante dos choques de oferta, implicaria um custo muito alto para a atividade econômica e a boa prática recomendava um movimento mais suave.
   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, no governo Lula, defendeu por várias vezes nos bastidores a necessidade de uma meta de crescimento. Essa foi uma das razões também para o governo ter decidido manter em 4,5% a meta de inflação, num embate duro entre Mantega e o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, que queria reduzir o centro da meta para 4%, um nível de inflação mais próximo dos praticados pelos países desenvolvidos. Nos bastidores da Fazenda, um PIB abaixo de 4%, número projetado pelo BC para este ano (Mantega projeta 4,5% de alta), é considerado muito ruim. "Realmente me parece que há uma dupla intenção do BC a partir deste governo, mais explícita do que tinha no segundo mandato de Lula. Mas é uma dupla meta enganosa. No caso americano, buscar a meta de crescimento existe apenas quando a inflação não é um risco", afirmou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele explicou que o Fed já cometeu erros, nas décadas de 60 e 70, quando estimulou demais a economia, levando a inflação a níveis muito elevados. "Mas o Fed sempre tentou controlar a inflação, com diferenças de percepção de cada dirigente em cada momento", afirmou. Para Vale, no caso brasileiro, há um "objetivo de manter uma taxa de crescimento de 5% com inflação de 4,5%".
Fonte: O Estado de São Paulo