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10 de abril de 2012

POLÍTICA CAMBIAL NÃO DEIXARÁ OCORRER VALORIZAÇÃO DO REAL, DIZ MANTEGA

   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou hoje que o governo não vai permitir a apreciação do real ante o dólar. "A política cambial não deixará ocorrer valorização (do real)", afirmou. "Se necessário, tomaremos medidas contra a valorização do câmbio", acrescentou. Mantega ressaltou que o câmbio talvez seja o "principal fator de competitividade" da indústria. "Mas tira 20, 30, 40 pontos porcentuais do câmbio que eu quero ver se a indústria asiática é competitiva", disse.

Mão de obra
   O ministro afirmou que, no atual contexto de crise global, é muito importante que ocorra a desoneração da folha de pagamentos para as indústrias brasileiras. Mantega ressaltou que, com a segunda fase do Plano Brasil Maior, o governo faz um esforço para dar mais condições ao setor manufatureiro produzir inclusive porque sofre grande concorrência internacional. O programa prevê incnetivos para as indústrias no montante total de R$ 60,4 bilhões. "É imperativo que possamos reduzir o custo da mão de obra, sem prejudicar os trabalhadores, porque os trabalhadores são o nosso mercado de consumo", afirmou.
   De acordo com Mantega, o apoio fiscal que o governo vem dando para o setor manufatureiro é importante neste momento, quando a economia está em processo de aceleração. Segundo ele, mais adiante, no segundo semestre, tal apoio talvez não precisará ser tão intenso pois o PIB deverá estar apresentando uma velocidade de expansão bem maior.
Fonte: Agência Estado

DÓLAR TENDE A MANTER DECLÍNIO

   O dólar abriu em alta de 0,05%, a R$ 1,8210, mas a tendência continua de queda. Ontem, o dólar no balcão fechou em R$ 1,820, no nível do piso informal. "Não tenho dúvida de que o mercado está chamando o Banco Central para a briga. A tendência da moeda norte-americana continua sendo de baixa no mercado doméstico. Só medidas realmente estruturais poderiam inverter esta tendência. O restante é paliativo", afirmou um operador, aguardando novas compras do BC, ante a última no mercado à vista realizada no dia 3.
   Hoje os investidores europeus retornaram do feriado ainda reagindo aos dados frustrantes do mercado de trabalho dos Estados Unidos em março, aos dados de inflação na China e, também, aos de comércio chineses (este último divulgado na madrugada). O tom de cautela prevalece com a Espanha também como fator de preocupação. O país reafirmou o comprometimento com as medidas de austeridade, mas os agentes de mercado demonstram ceticismo sobre a execução dos cortes. Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em baixa, diante da decisão do Banco do Japão (BoJ) de manter inalteradas tanto taxa de juro quanto medidas de relaxamento.
   A China divulgou alargamento do superávit comercial maior do que o esperado em março, alimentando temores sobre o ritmo da desaceleração no país. No mês passado, a China apresentou superávit de US$ 5,35 bilhões ante déficit de US$ 31,48 bilhões em fevereiro, sendo o enfraquecimento das importações a principal razão para a mudança na trajetória. Tanto exportações quanto importações caíram para um dígito no período. A Bolsa de Milão chegou a cair mais de 2% com temor de contágio pelos problemas financeiros da Espanha. A taxa de retorno aos investidores (yield) dos bônus de 10 anos do país atingiu nova máxima ao bater 5,83%, nível mais elevado desde dezembro. Também no início da manhã, o spread dos swaps de default de crédito (CDS) de cinco anos do país subiram para 478 pontos-base, se aproximando do recorde de 487 pontos-base atingido em 23 de novembro do ano passado. Ontem, o governo da Espanha anunciou planos de corte de mais de 10 bilhões de euros nas áreas de saúde e educação, mas o mercado mostra ceticismo sobre a execução. 
Fonte: O Estado de São Paulo

JAC MOTORS E CHERY QUEREM TRAZER FORNECEDORAS CHINESAS AO BRASIL

   Com o intuito de cumprir as exigências instituídas no novo regime automotivo, publicada na última semana, a chinesa JAC Motors planeja trazer para o Brasil fornecedoras de autopeças chinesas, que já atendem a montadora. "Queremos trazer alguns fornecedores da JAC que querem trabalhar no País", disse o presidente da JAC Motors do Brasil, Sérgio Habib. A também chinesa Chery deverá trazer ao menos sete fabricantes de autopeças chinesas ao Brasil para constituírem a sua rede local de fornecimento. Segundo o CEO das operações da montadora no Brasil, Luis Curi, a intenção da Chery é alcançar o índice de 65% de nacionalização já no primeiro ano de operações, previsto para 2013. O executivo afirmou que a companhia conseguirá seguir o novo regime automotivo e assim, obter o benefício para a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Nós não conseguiríamos chegar em 65% no primeiro ano, mas agora nos foi dado um prazo de três anos", disse Habib. A fábrica da companhia chinesa será instalada no polo industrial de Camaçari, na Bahia, e as operações estão planejadas para terem início em 2014. A unidade da JAC Motors receberá investimento de R$ 900 milhões e a capacidade produtiva deverá chegar em aproximadamente 100 mil veículos por ano.
   Além da ideia de buscar os fornecedores na China, o executivo disse que está atento às oportunidades da cadeia de fornecimento em Camaçari. Como a Ford já está situada no local, Habib disse que as operações na JAC poderão se beneficiar dessa cadeia já consolidada em Camaçari. "Para as autopeças é melhor ter dois clientes do que um", disse. No dia 14 de maio, disse o executivo, a companhia realizará um encontro com as empresas de autopeças em Camaçari.

Bancos

   Sergio Habib que os bancos brasileiros não estão "propensos" a financiar a compra de automóveis no Brasil e o fato deverá impedir o crescimento da indústria automobilística brasileira em 2012. O executivo afirmou que a inadimplência do setor vem crescendo, o que deixou os bancos ainda mais avessos ao financiamento, principalmente os de longo prazo. "Não há mais financiamento de 60 meses", destacou. Segundo Habib, a queda nos valores das prestações é o que, de fato, proporciona um aumento do mercado. "A queda das prestações é muito mais sensível ao número de parcelas do que a queda dos juros", afirmou. Por conta disso, disse o executivo, a sua percepção é de que o setor não registre crescimento neste ano em relação ao ano passado. "A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) ainda não mudou as projeções, está muito otimista", disse. A entidade, que representa as montadoras instaladas no Brasil, projeta um crescimento das vendas entre 4% e 5%.
   No primeiro trimestre do ano, os licenciamentos de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) somaram 818.364 unidades, uma queda de 0,8% na comparação com os veículos comercializados em igual período de 2011.
 
Fonte: O Estado de São Paulo

9 de março de 2012

GRÉCIA DESBANCA ARGENTINA E ASSUME POSTO DE MAIOR CALOTE DO MUNDO

   Após meses de negociação e expectativa, a Grécia desbancou a Argentina e assumiu o posto de maior calote soberano do mundo. Guardadas as diferenças entre as duas situações, a dívida grega reestruturada soma 206 bilhões de euros, bem mais do que os 60 bilhões de euros (US$ 82 bilhões) do default argentino, em 2005. Além do volume maior na dívida total em reestruturação, a perda líquida dos investidores da dívida grega também supera a do caso argentino, segundo projeções de analistas ouvidos pela Agência Estado. Se há uma grande diferença é que, ao contrário da Argentina, a Grécia passou por um longo processo de tratativas com os credores privados. A Argentina partiu para um calote forçado da dívida logo no primeiro momento, em 2001, e só chamou os investidores para a renegociação anos depois, em 2005.
   Inicialmente, ninguém acreditava que um membro da zona do euro pudesse protagonizar reestruturação tão profunda, no primeiro caso de default da união monetária. Entretanto, as comparações entre os dois países hoje são plenamente aceitas no velho continente. Há tempos que os analistas argentinos, experientes no assunto, alertavam para as semelhanças dos dois casos, como a falta de confiança externa, a debilidade da liderança política, o mal estar social, os ajustes sucessivos sem resultado e a saída de depósitos. Distúrbios, protestos, rebaixamento de ratings e risco nas alturas formam hoje o cenário grego, já bem conhecido pelos argentinos que foram às ruas em dezembro de 2001 para pedir que "se vayan todos" do governo (que saiam todos).
   A oferta de troca da Grécia aplica um desconto nominal de 53,5% sobre o endividamento privado, que totaliza 206 bilhões de euros. Trazida a valor presente, a operação deve representar um desconto líquido aos investidores de até 75%. Para calcular a perda líquida dos investidores, bancos como o Barclays Capital e o Credit Suisse usaram uma taxa de desconto de 12%, maior do que a considerada pelo IIF (de 9%). O resultado é um desconto final de 74% no caso da Grécia, acima dos 73% impostos pela operação da Argentina. "As perdas para os investidores no caso da Grécia, assumindo que nossa taxa de desconto estará próxima do nível pós-reestruturação, podem ser ainda mais penosas (do que as da Argentina)", escrevem os analistas Cagdas Aksu e Donato Guarino, do Barclays Capital, em relatório enviado a clientes. Eles lembram que, até então, o calote argentino era considerado o mais grave já existente, com um dos índices de participação mais baixos do mundo emergente, de 76%.
   Hoje, o governo da Grécia informou que a participação dos credores pela lei grega foi de 83,5% da dívida privada total do país. Dos 206 bilhões de euros em títulos, o equivalente a 172 bilhões de euros aceitou a proposta grega. Esse índice permite que o governo ative as cláusulas de ação coletiva (CACs), como já sinalizou. O próximo passo é a troca efetiva dos bônus, prevista para a próxima segunda-feira, 12 de março.

Comparação
   Os dois países ofereceram na operação de troca alguns títulos atrelados ao desempenho da economia. Isso significa que parte da remuneração dos investidores varia conforme o desempenho do PIB. De forma geral, se a atividade interna melhorar, os credores recebem mais, e vice-versa. O Barclays Capital avalia, entretanto, que as condições desses títulos são piores no caso grego. As obrigações argentinas também eram indexadas à inflação e podiam pagar os rendimentos atrelados ao PIB a cada ano. Se num determinado período não fosse cumprida a meta do PIB, o pagamento ficava acumulado para o período seguinte. No caso grego, ao contrário, os pagamentos serão referentes a apenas 1% do valor de face dos títulos, desde que sejam atingidas as condições exigidas para o comportamento do PIB. Se em algum ano a meta não for atingida, o pagamento do rendimento fica perdido e não acumula para o período seguinte. "A conclusão é que o valor dos títulos gregos ligados ao PIB deve ser muito menor do que o dos argentinos", dizem os especialistas do Barclays Capital.
    Em compensação, a Argentina estava sozinha ao anunciar unilateralmente seu default, enquanto a Grécia conta com o apoio da União Europeia, que formula um segundo pacote de resgate, de 130 bilhões de euros. "O default da Grécia é maior do que o da Argentina, mas a Grécia tem ajuda", disse Wilber Colmeraruer, sócio da consultoria Brazil Funding, em Londres.
Fonte: O Estado de São Paulo

BNDES PREVÊ TAXA DE INVESTIMENTO ACIMA DE 20% EM 2012

    Uma participação maior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito está em discussão no governo, em meio a esforços para elevar a taxa de investimento do país ante 2011, disse o presidente do banco de fomento. "Há uma orientação da presidenta Dilma para elevar a taxa de investimento", disse a jornalistas nesta sexta-feira o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, após assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o órgão e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). "Uma participação mais ativa do BNDES está em discussão no governo para este ano", acrescentou, afirmando que o objetivo é elevar a expansão dos recursos empregados na formação bruta de capital fixo para cima de 20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.
   Em 2011, mesmo com uma expansão de 4,7 por cento, a taxa de investimento da economia doméstica recuou de 19,5 para 19,3 por cento. Para Coutinho, um nível maior desse quesito é fundamental para que o Brasil cresça mais e o BNDES está disposto a participar de um esforço maior, se necessário. "Vamos fazer o possível para fazer o PIB crescer 4 por cento este ano", disse Coutinho. A meta do Ministério da Fazenda é de expansão de 4,5 por cento, mas a previsão média do mercado no boletim Focus está em 3,3 por cento para o ano.
   Também nesta sexta-feira, o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, disse considerar a relação entre investimento e PIB insuficiente. "Estamos gerando emprego, mas não estamos induzindo a produtividade de forma equivalente", disse durante aula inaugural no Instituto de Economia da UFRJ. Segundo Ferraz, um crescimento sustentável exige uma taxa de investimento de 24 a 25 por cento do PIB, sem estimar quando o Brasil poderia atingir tal patamar. "Taxas de juros mais baixas sempre são úteis para o desenvolvimento, desde que sejam sustentáveis no longo prazo", afirmou ele. "A trajetória que estamos vendo está indo nessa direção, e o desafio do país é manter (as taxas) nessa trajetória declinante".
   Os desembolsos do BNDES totalizaram 139,7 bilhões de reais em 2011, uma queda anual de 17 por cento. Segundo Coutinho, se houver aceleração do investimento, os desembolsos do BNDES podem crescer este ano.

Mudanças nas Debêntures de Infraestrutura
   Coutinho disse também que o governo está fazendo mudanças no projeto de debêntures de longo prazo, uma das principais apostas para elevar o financiamento privado para infraestrutura. "Há uma predisposição altamente favorável do governo às sugestões do setor privado", disse Coutinho. "Pode haver alguns ajustes em temas como custódia e estímulo à liquidez", agregou. Na véspera, a Reuters publicou que representantes do mercado de capitais pediram ao governo uma série de modificações no projeto das debêntures de infraestrutura. Entre esses representantes estavam o BNDES, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), escritórios de advocacia e entidades empresariais, como a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).
 
Fonte: Thomson Reuters