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25 de março de 2011

BRASIL É O 2º PAÍS NA ROTA DE INVESTIMENTOS ÁRABES

   Ao todo, as nações do Oriente Médio e do Norte da África investiram US$ 4,5 bilhões em empresas brasileiras. O valor investido no Brasil por fundos e empresas do mundo árabe representa 18% do total de investimentos realizados fora da região. Os britânicos receberam o equivalente a 21%. Os americanos, apesar de terem participado de um volume maior de negócios, conseguiram atrair apenas 4%.
   O principal investimento no Brasil foi realizado pela Qatar Holding. A companhia é o braço financeiro do fundo soberano desse país do Golfo Pérsico, sede da rede de TV Al-Jazira. De acordo com o estudo, foram investidos US$ 2,7 bilhões para emissão de títulos conversíveis em ações do Banco Santander do Brasil. A aquisição de 18% do BTG-Pactual por parte dos Emirados Árabes Unidos conseguiu levar para o Brasil outros US$ 1,8 bilhão, sendo a sexta maior negociação de fusões e aquisições envolvendo os países do Oriente Médio e do Norte da África, incluindo as transações domésticas e inter-regionais. A negociação entre a Qatar Holding e o Santander ficou em segundo, sendo a primeira de fora da região. A maior foi a gigantesca aquisição na área de telecomunicações da Zain Group, do Kuwait, pela Etisalat, dos Emirados Árabes Unidos, por US$ 11,7 bilhões.
   Os principais investimentos feitos no Brasil em fusões e aquisições vieram de dois países que não correm risco de levantes, de acordo com as consultorias de análise. Apesar de atrair capital árabe para empresas brasileiras, o caminho inverso não ocorreu. O Brasil nem sequer aparece no ranking de países de fora do Oriente Médio e do Norte da África que participaram de negócios envolvendo fusões e aquisições em 2010. Esse mercado no mundo árabe, incluindo as negociações domésticas, movimentou US$ 55,9 bilhões em 2010, um crescimento de 65% em relação ao ano anterior. Os Emirados Árabes (43%) e o Catar (30%) foram os países que mais realizaram negócios com nações de fora da região. Internamente, os dois também ficaram na liderança. O Egito (20%), os Emirados Árabes (16%) e a Arábia Saudita (9%) foram os que mais atraíram investimentos externos.
   Nos últimos anos, o interesse no Brasil por parte de fundos soberanos do Golfo Pérsico, que estão entre os maiores do mundo, tem crescido. Bancos e fundos de investimento brasileiros começaram a abrir filiais e a enviar representantes para atrair os árabes para negócios envolvendo fundos de private equity e IPOs (oferta pública de ações) no Brasil. Companhias aéreas, como a Emirates e a Qatar Airways, estabeleceram rotas para São Paulo. Os negócios do Brasil com a região também vão bem, já que os brasileiros vendem alimentos para grande parte dessas nações. A Vale também ampliou seus investimentos no Oriente Médio ao abrir uma filial em Omã.

Recursos árabes:* 18% dos investimentos árabes fora da região foram feitos no Brasil
* US$ 4,5 bi foram recebidos por empresas brasileiras
* 21% é a porcentagem investida na Grã-Bretanha
Fonte: O Globo

18 de março de 2011

COOPERATIVAS EXPORTARAM US$ 4,4 BI EM 2010

   Em 2010, as cooperativas bateram novo recorde ao exportar US$ 4,4 bilhões. Em 2011, devem crescer 11% no mercado internacional, chegando a US$ 4,9 bilhões em vendas. "Mesmo com a paridade cambial desfavorável às exportações, saímos da crise e estamos retomando antigos mercados", avalia o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.
   A evolução de 22% nas vendas externas em 2010 recupera, com folga, o forte recuo de 10,5% registrado em 2009. "Neste ano, não devemos crescer o mesmo de 2010. Mas vamos continuar essa retomada", diz o gerente de Mercados da OCB, Evandro Ninaut.
   Os mercados mais explorados pelas cooperativas foram China e Emirados Árabes. Mas Bélgica, Canadá e Nigéria surpreenderam com a demanda por produtos das sociedades cooperativas. Os principais produtos de exportação, em 2010, foram açúcar e etanol, complexo soja e todas as carnes. Também ajudaram: café, cereais, algodão, frutas, produtos hortícolas, leite e laticínios.
   As sociedades do Paraná lideraram as vendas externas ao responder por 37% do total exportado. Cooperativas de São Paulo e Minas Gerais também tiveram papel relevante na significativa expansão no ano passado. As cooperativas, cuja força está em seus 9 milhões de associados e quase 300 mil empregados, veem os próximos anos como momentos de "expansão de mercado", mas com uma elevação da exigência dos consumidores por mais qualidade e produtos feitos dentro de padrões socioambientais ainda mais rigorosos.
   A análise prospectiva da instituição permite vislumbrar uma expansão contínua até 2014. Se tudo correr bem, com clima favorável e preços médios próximos de níveis históricos, a projeção é chegar US$ 5,5 bilhões em 2012; ultrapassar US$ 6 bilhões em 2013; e romper 2014 com exportações totais de US$ 6,8 bilhões. Na avaliação OCB, haverá um forte aumento de demanda nas próximo anos. Até 2050, estima-se que a população mundial passe de 7 bilhões para 9 bilhões. Assim, será necessário elevar em 50% a produção de grãos e dobrar a oferta de carnes. "Esse cenário nos dá oportunidades para ocupar um espaço ainda maior, aqui e lá fora", afirma Ninaut.
Fonte: Valor Econômico