Siga o Curso de Administração

9 de março de 2011

GOVERNO BRASILEIRO ESTUDA MEDIDAS PARA CONTER VALORIZAÇÃO DO REAL

   







      Preocupado com a nova rodada de valorização do real, que ontem atingiu o menor valor desde agosto de 2008, o governo prepara novas medidas na área cambial, segundo informou ao ‘Estado’ uma fonte do Ministério da Fazenda. O ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, discutiram o assunto nos últimos dias e novas iniciativas já estão praticamente prontas pela área técnica do governo. Segundo a mesma fonte, há grande chance de ela sair logo depois do carnaval. "Será uma medida forte", disse. Para enfrentar a valorização da moeda brasileira, o governo já elevou duas vezes o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em renda fixa (hoje está em 6%), alterou normas de forma a limitar a aposta dos bancos na alta do real, voltou a colocar swaps cambiais reversos (instrumentos equivalentes a compras de dólares no mercado futuro) e também criou o leilão a termo de câmbio, que é uma operação feita em um dia com entrega em data futura.
   Entre as medidas possíveis de serem utilizadas para enfrentar a "guerra cambial", evitar a valorização do real e garantir a competitividade do setor exportador brasileiro está a compra de moeda estrangeira por meio do Fundo Soberano do Brasil (FSB). O governo tem autorização para operar com o FSB, mas ainda não acionou as compras.

Quarentena:
    Outra possibilidade que já foi mencionada por fontes do governo seria a adoção de medidas de controle cambial, como uma elevação brusca da alíquota do IOF no ingresso de capitais no País até a opção de maior rejeição pelo mercado externo, que é a imposição de uma quarentena para o ingresso de capitais. Existe uma preocupação do governo de deixar claro que ele não pretende criar qualquer dificuldade à saída de capitais estrangeiros. Ontem, o dólar fechou negociado abaixo de R$ 1,65, o mais recente piso informal que vinha sendo defendido de forma bem sucedida pelo governo. A cotação de fechamento no balcão foi de R$ 1,644, queda de 0,42% sobre a cotação de anteontem. Na semana, a queda acumulada é de 1,14%. Vale lembrar que o Banco Central atuou fortemente nesta semana para conter a escalada do real, usando as três modalidades de intervenção (compras à vista, swaps reversos e leilões no mercado à termo).
   O movimento de perda de valor do dólar ocorre em vários lugares do mundo por conta da baixa taxa de juros e da emissão de moeda nos Estados Unidos. Assim, muitas empresas nacionais têm buscado captar recursos no exterior, o que ajudou a inflar os números do fluxo de dólares no primeiro bimestre de 2011 - no total, o fluxo cambial em janeiro e fevereiro, faltando um dia para fechar o resultado do mês passado, superava os US$ 20 bilhões. Além disso, o Brasil tem sido um dos destinos preferidos do capital estrangeiro por conta de seu crescimento econômico ser um dos mais fortes do mundo e pelas perspectivas relativas aos grandes eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, além da exploração do petróleo na camada pré-sal. Também não se pode desprezar o efeito que o processo de alta dos juros em curso pelo Banco Central poderá vir a ter. Desde a alta do IOF para investimento estrangeiro em renda fixa, esse segmento teve uma diminuição significativa nos fluxos para o País. Contudo a alta da Selic em tese tende a diminuir o peso do tributo e a atrair mais capital para especular com os títulos do governo.
Fonte: O Estado de São Paulo

3 de março de 2011

SOBE JUROS DO PSI PARA GRANDES EMPRESAS

   O ministro em exercício do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, informou hoje que a maior elevação dos juros das linhas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) será para as grandes empresas, conforme antecipou a Agência Estado. A linha destinada a financiar a compra de bens de capital terá juros de 8,7% ao ano, a partir de 1º de abril, quando será iniciada a terceira fase do programa (PSI 3). A taxa atualmente é de 5,5%, assim como para pequenas e médias empresas. Os juros para estas empresas de menor porte subirão para 6,5% ao ano.
   A linha do PSI que financia inovação tecnológica passará a ter taxa de 4% ao ano, ante 3,5% ao ano que vigora neste momento. Os empréstimos para capital inovador custarão 5% ao ano para o tomador final. A taxa atual é de 4,5% ao ano. Os juros da linha de financiamento para exportações de bens de capital subirão de 5,5% para 7% ao ano. Teixeira disse que ainda está sendo criada uma linha para financiar ônibus de eletricidade. A taxa de juros será de 5% ao ano. O aumento dos juros das linhas do PSI visa a reduzir os desembolsos do Tesouro, que faz a equalização das taxas para cobrir a diferença entre o custo de captação dos recursos pelo BNDES e o custo do tomador final.
Fonte: Agência Estado

MANTEGA: "CRESCIMENTO DA ECONOMIA CHINESA É ATÍPICO"

  Em coletiva realizada nesta quinta-feira, 3, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que nem o Brasil nem a grande maioria dos outros países pode sustentar um "crescimento chinês", que classificou de atípico. "Mas o Brasil sustenta sim um crescimento acima dos 5%, pois mesmo com dois anos de crise, crescemos a uma média de 4,5% entre 2007 e 2010", disse. "O cenário que nós projetamos para 2011 ano é um crescimento de 4,5% a 5%. Em geral, a economia desacelera no primeiro trimestre e acelera no segundo", completou. O ministro afirmou também que o forte crescimento de 7,5% do PIB em 2010 e o aumento da inflação nos últimos meses não significam que o governo tenha demorado a desmontar os incentivos concedidos durante a crise.

Retirada dos incentivos
   Mantega lembrou que as reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e eletrodomésticos foram retiradas ainda em março do ano passado. "Só não tiramos os incentivos a investimentos, que tendem a ser permanentes", completou. O ministro também citou as medidas de contenção de crédito anunciadas pelo Banco Central no fim de 2010 e afirmou que o governo vem reduzindo seus gastos desde o terceiro trimestre daquele ano. "Os estímulos durante a crise foram necessários para que a produção voltasse ao patamar de 2008. O crescimento do ano passado foi adequado e a desaceleração também é adequada. A economia brasileira não está superaquecida, mas está crescendo positivamente", afirmou Mantega, que acrescentou que o ritmo de expansão do PIB já voltou a uma taxa de 5% desde o quarto trimestre do ano passado.
Fonte: O Estado de São Paulo

BALANÇA COMERCIAL DE FEVEREIRO REGISTRA RECORDE

   As exportações de US$ 16,733 bilhões registradas em fevereiro de 2011 foram recorde para o mês na série histórica. O mesmo ocorreu com as importações, que chegaram a US$ 15,534 bilhões, e, portanto, com a corrente de comércio (a soma das exportações e importações), que foi de US$ 32,267 bilhões. Os recordes também se repetiram na análise do primeiro bimestre do ano (exportações de US$ 31,947 bilhões, importações de US$ 30,325 bilhões e corrente de comércio de US$ 62,272 bilhões). O superávit bimestral (US$ 1,622 bilhão) também foi o melhor dos últimos três anos, (US$ 210 milhões em 2010 e US$ 1,231 bilhão em 2009).

Exportações
   No acumulado de janeiro a fevereiro de 2011, os três grupos de produtos registraram crescimento em relação ao mesmo período de 2010: básicos (47,5%), semimanufaturados (21,6%) e manufaturados (10,8%). Com relação à exportação de produtos básicos, houve crescimento na receita de trigo em grão (281,7%), minério de ferro (129,7%), milho em grãos (92,2%), café em grão (63,8%), carne de frango (26,5%), petróleo em bruto (20,5%), farelo de soja (13,7%) e carne bovina (5,1%). Dentro dos semimanufaturados, os maiores aumentos foram nas vendas de óleo de soja em bruto (244,3%), ferro fundido (156,9%), semimanufaturados de ferro e aço (77,2%), ferro-ligas (46%), ouro em forma semimanufaturada (28,3%), couros e peles (19,2%) e celulose (9,3%). No grupo dos manufaturados, os principais produtos exportados foram máquinas e aparelhos para terraplanagem (173,9%), suco de laranja (79,2%), laminados planos (44,8%), motores de veículos e partes (38,7%), autopeças (25,3%), polímeros plásticos (21,8%), pneumáticos (20,8%), bombas e compressores (10,5%) e óxidos e hidróxidos de alumínio (5,5%).
   Na análise dos mercados de destino, a Ásia (40%) foi quem teve maior expansão, com destaque para a China (57,5%), por conta de aumento nas vendas de minério de ferro, petróleo em bruto, celulose, siderúrgicos, couros e peles e carnes. A África (37,3%) teve o segundo maior crescimento com vendas de açúcar, trigo e milho em grão, carnes, óleo de soja em bruto e minério de ferro. No Mercosul (30,3%), as vendas para a Argentina tiveram aumento de 30,8%, com destaque para veículos automóveis e partes, máquinas e equipamentos, aparelhos eletroeletrônicos, energia elétrica, minério de ferro e aviões.
   Os principais países de destino das exportações, no acumulado bimestral foram: China (US$ 4 bilhões), Estados Unidos (US$ 3,4 bilhões), Argentina (US$ 3 bilhões), Países Baixos (US$ 1,7 bilhões) e Japão (US$ 1,3 bilhões).

Importações
   No primeiro bimestre de 2011, houve crescimento de todas as categorias de uso, na comparação com o mesmo período de 2010: combustíveis e lubrificantes (22,1%), bens de consumo (30,6%), matérias-primas e intermediários (15,5%) e bens de capital (23,6%).
   Na análise dos mercados de origem, cresceram as compras de todos os principais blocos econômicos, com exceção da África (-8,2%). Nas Europa Oriental (62,1%), o crescimento se explica pelas aquisições de adubos e fertilizantes, carvão e nafta para petroquímica. No Oriente Médio (61,3%), houve compras de petróleo, adubos e fertilizantes e plásticos e obras. Em relação aos Estados Unidos (27,4%), os principais gastos foram com aumentos de máquinas e equipamentos, óleo diesel, carvão, químicos orgânicos, aparelhos eletroeletrônicos, plásticos e obras, instrumentos de ótica e precisão e aeronaves e peças.
   Os principais países de origem das importações foram: China (US$ 4,7 bilhões), Estados Unidos (US$ 4,6 bilhões), Argentina (US$ 2,4 bilhões), Alemanha (US$ 2 bilhões) e Coréia do Sul (US$ 1,4 bilhões).
Fonte: MDIC

GECEX APROVA ANTIDUMPING PARA ALGUNS PRODUTOS DA CHINA, ARGENTINA E INDONÉSIA

   O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações brasileiras de objetos de mesa feitos de vidro (NCM 7013.49.00), quando originários da Argentina, Indonésia e República Popular da China.
   O direito, que entrou em vigor terça-feira (1°/3), com a publicação no Diário Oficial da União (DOU) da Resolução n° 8 da Câmara de Comércio Exterior (Camex), tem vigência de até cinco anos. O antidumping será recolhido por meio de alíquota específica fixa, nos montantes abaixo descritos:
Produtor/Exportador                                    Direito Antidumping (US$/kg)
Argentina - Rigolleau S.A                                    0,18
Argentina - Demais Produtores                            0,37
Indonésia                                                           0,15
China                                                                 1,70

   Os objetos de mesa sobre os quais passa a incidir o antidumping são fabricados com vidro sodo-cálcico e podem se apresentar de diversas formas, mesmo que acompanhados de aparatos adicionais de adorno - tais como tampas, suportes em vidro, metálicos ou acabamentos distintos do vidro.
   O direito será aplicado sobre conjuntos de mesa, temperados ou não temperados; pratos, temperados ou não temperados (rasos, fundos, para sobremesa, sopa, bolo, torta, para micro-ondas); xícaras; pires; taças de sobremesa; potes (baleiros, porta-condimentos, açucareiros, molheiras, compoteiras); vasilhas e tigelas (fruteiras, saladeiras, sopeiras, terrinas).
   Estão excluídos do alcance da medida os objetos de mesa, produzidos com vidro boro-silicato (vidro refratário), bem como travessas, jarras, decânteres, licoreiras, garrafas e moringas.
Fonte: MDIC